Os impactos do conflito Rússia e Ucrânia no Brasil e na logística internacional

Na madrugada do dia 24 de fevereiro, teve o início dos ataques da Rússia contra Ucrânia e os ânimos tendem a esquentar ainda mais nos próximos dias. 

Com isso, surge a dúvida: Como a disputa de duas das maiores potências militares do mundo pode afetar os investimentos e a tomada de decisões no Brasil.

Mesmo não estando na zona de guerra e conflito, o Brasil sofrerá com reflexos significativos com o agravamento do conflito, bem como todos os países. Apesar da região da Europa ser a mais afetada, o conflito causará diversos transtornos no mundo econômico.

O Brasil seria afetado principalmente por causa da economia, e o impacto mais significativo seria a maior pressão sobre a inflação.

O barril do petróleo antes da confirmação dos ataques já estava em patamares de valores não vistos desde 2014, analistas indicam que deve elevar o preço do barril do petróleo ultrapassando os 100 dólares.

A Rússia é um parceiro comercial importante para o Brasil. De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o país negociou um total de US$ 2,7 bilhões (R$ 14,3 bilhões) em produtos russos em 2020. Desse total, US$ 53,6 milhões (R$ 285,6 milhões) foram gastos na importação de óleos combustíveis. 

Destacamos 3 pontos importantes que o Brasil sofrerá um grande impacto:

1- Dólar

Invariavelmente, investidores irão perder ou ganhar com o conflito liderado por Vladimir Putin.

Os investidores procuram por investimentos mais seguros, como os títulos dos EUA que possuem valorização em Dólar e tendem a retirar ou não investir em nosso país, as consequências iniciais desse movimento é a desvalorização da nossa moeda, o real, e a subida da inflação. Por isso, a moeda que esteve em queda nos últimos dias, tende a reverter e voltar a subir.

2 – Gasolina e derivados mais caros

O conflito impacta diretamente em cotações de commodities como gás, petróleo e energia, itens de vulnerabilidade do mercado brasileiro. Que terão seus preços novamente aumentados. 

Se a tendência demonstrada é de que o barril do petróleo supere os US$ 100, podendo chegar a US$ 120, o Brasil sofrerá uma pressão inflacionária em toda cadeia produtiva, iniciando pelo preço dos combustíveis. 

A previsão inicial de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, de que o pico inflacionário no Brasil seria em abril e maio poderá ser afeta com a mudança que teremos no mercado econômico mundial. 

3 – Comodities agrícolas 

As commodities agrícolas tendem a se valorizar, tanto a Rússia como a Ucrânia são importantes players no mercado de exportação de trigo (Segundo dados da USDA, 4º e 9º colocados), uma crise prolongada poderá afetar essa cadeia, aqui, vale lembrar que o Brasil não é autossuficiente em trigo.

A capital da Ucrânia, Kiev também é um player relevante na exportação do milho, sendo o 6º maior do mundo neste setor, segundo a USDA. E Moscou, capital da Rússia, é o maior exportador de fertilizantes do mundo, que por sinal é de onde o Brasil mais importa. 

Ao sofrer mais sanções, o fornecimento aos outros países ficará comprometido, pressionando os preços dos alimentos e afetando a produção agrícola global.

A maior parte do PIB Brasileiro é representado pelo Agronegócio, o qual a produção agrícola é bastante significativa neste resultado financeiro, afetando a produção agrícola afeta diretamente a economia do país. 

E quais os impactos da logística internacional?

Algumas das maiores rotas de importação e exportação são cotadas em dólar, a valorização da moeda tem impacto direto no valor final pago pelo importador/exportador.

Com o Barril de petróleo em alta, ocorre também o aumento de combustíveis dos navios e aviões, impactando diretamente nos valores dos fretes internacionais.

Arlon Pereira, Diretor da Royal Cargo do Brasil, relata que os impactos imediatos já iniciaram, “Na Royal Cargo do Brasil, já tivemos na madrugada reservas canceladas ao porto de Odessa, na Ucrânia, e para St Petersburgo, na Rússia, informando que estão segurando os embarques até a situação se resolver. Toda vez que a logística mundial precisa ser readequada, pois algum lugar parou de produzir e os países precisam encaixar essa produção em outro lugar, a cadeia de suprimentos como um todo sofre. Provavelmente haverá algumas mudanças de serviços e rotas na parte do transporte internacional”

Produtos que o Brasil mais importa da Rússia*

Outros cloretos de potássioUS$ 1,35 bilhão
Diidrogeno-ortofosfato de amônio (fosfato monoamônico ou monoamoniacal), mesmo misturado com hidrogeno-ortofosfato de diamônio (fosfato diamônico ou diamoniacal)US$ 862 milhões
Ureia, mesmo em solução aquosa, com teor de nitrogênio (azoto) superior a 45 %, em peso, calculado sobre o produto anidro no estado secoUS$ 508 milhões
Hulha betuminosa, não aglomeradaUS$ 411 milhões
Nitrato de amônio, mesmo em solução aquosaUS$ 377 milhões

Fonte: Comex

Produtos mais exportados do Brasil para a Rússia*

Soja, mesmo triturada, exceto para semeaduraUS$ 343.286.654,00
Pedaços e miudezas, comestíveis de galos/galinhas, congeladosUS$ 167.164.904,00
Café não torrado, não descafeinado, em grãoUS$ 132.723.847,00
Amendoins descascados, mesmo trituradosUS$ 129.731.662,00
Outros açúcares de canaUS$ 124.262.859,00

Fonte: Comex

Texto: LIRIAN PATTY DE GOSS – Commercial Service Royal Cargo

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